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16 junho 2007

Jazz e Arquitetura

A Arquitetura está entre as artes mais incompreendidas da nossa geração. Qualquer um sabe o que é um edifício ou uma cidade, mas poucos sabem o que realmente é Arquitetura.

Definições do que vem a ser a Arquitetura já ouvi muitas, mas uma das poucas que convenceram foi aquela que diz que a Arquitetura é o que resulta de um espaço quando este sobre algum tipo de interferência criada pelo homem.

Ou seja, se você tem um espaço vazio e constrói uma parede nele, Arquitetura não é a parede ( isso é construção), Arquitetura é o que resulta deste espaço com a nova parede. A Arquitetua não é propriamente o concreto, a massa, mas o vazio. Mesmo porque as pessoas não são capazes de viver dentro das paredes.

Mario Laginha é não só um grande pianista português, mas também dos grandes compositores vivos hoje. Além disso, é um fascinado por Arquitetura, ou melhor, Arquitectura, como se escreve em Portugal, e a propósito da Trienal de Arquitectura que ocorre em Lisboa, acaba de lançar, com o Mario Laginha Trio ( Bernardo Moreira, contrabaixo; Alexandre Frazão, bateria), o cd Espaço, inspirado na Arquitetura e em todas as questões inerentes a ela. Mario Laginha parece perceber muito bem do que é feita a Arquitetura.

Escutem uma faixa desse trabalho no blog da Trienal, Basta clicar no ícone de "play" abaixo da capa do cd.

25 março 2007

Spiegel im Spiegel

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:-
Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

20 março 2007

Interlúdio

s. m., Mús.,
pequena peça de música instrumental, intercalada entre as várias partes ou trechos de uma composição mais longa e mais importante.

25 janeiro 2007

453 anos com São Paulo e 13 anos sem Tom

A data de hoje é bem especial, não apenas pelo aniversário da cidade de São Paulo ,como muitos vão lembrar, mas também por ser o dia em que Tom Jobim nasceu.
Ultimamente, tanto a cidade quanto o maestro têm me influenciado muito, então minha recomendação pra quem não tem nada pra fazer hoje é a de visitar o centro da cidade ouvindo músicas do Tom, e de não perder a exposição do pintor paulista Almeida Júnior que abre hoje na Pinacoteca do Estado (edifício que teve projetos dos dois arquitetos mais paulistanos que já viveram: Ramos de Azevedo e Paulo Mendes da Rocha).

14 junho 2006

Morreu Gyorgy Ligeti

BUDAPESTE (Reuters) - O compositor húngaro Gyorgy Ligeti, que teve algumas de suas músicas usadas na trilha de "2001 -- Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick, morreu em Viena na segunda-feira (12). A informação é de sua editora musical alemã, a Schott Music.
Herdeiro espiritual do compositor húngaro Bela Bartok, Ligeti esteve na dianteira da música de vanguarda do século 20. Ele sobreviveu à detenção em um campo de concentração nazista e à perseguição do governo ditatorial comunista da Hungria.
"Na pessoa de Gyorgy Ligeti, perdemos o compositor mais importante da era pós-Bartok", disse Ivan Fischer, diretor da Orquestra do Festival de Budapeste, à agência de notícias estatal húngara MTI.
Ligeti tinha 83 anos e era conhecido entre os amantes da música sobretudo por peças como a ópera "Le Grand Macabre", composta entre 1975 e 1977. A obra é representante da micropolifonia, estilo complexo desenvolvido por Lygety, em que o compositor apaga as fronteiras entre harmonia, melodia e ritmo.
"Ligeti foi um compositor de vanguarda, definitivamente moderno, que fez muitíssimo pela renovação da linguagem musical na segunda metade do século 20", disse Fischer.
Ligeti teve músicas utilizadas em três filmes de Kubrick: "2001 -- Uma Odisséia no Espaço", "O Iluminado" e "De Olhos Bem Fechados". Em 2005, trechos de seu "Réquiem" foram usados no filme "A Fantástica Fábrica de Chocolate", dirigido por Tim Burton e estrelado por Johnny Depp.
Ligeti nasceu em 28 de maio de 1923, em uma família judia húngara, na Transilvânia, que até 1921 fez parte da Hungria.
Ele não pôde ingressar na universidade devido às leis nazistas contra os judeus. Em 1941, começou a estudar música com Ferenc Farkas, no conservatório Cluj, na Romênia, e mais tarde continuou em Budapeste.
Em 1943, foi preso pelos nazistas e condenado a trabalhos forçados. Seu pai e seu irmão morreram no campo de concentração de Auschwitz.
Mas Ligeti sobreviveu e, depois da guerra, retomou seus estudos com Farkas e Sandor Veress na Academia Franz Liszt, em Budapeste. Entretanto, sua música voltou a enfrentar dificuldades sob a repressão comunista que se seguiu à 2ª Guerra Mundial.
Ele fugiu da Hungria em 1956, quando tropas soviéticas reprimiram o levante húngaro contra o governo comunista. Em Viena, tornou-se uma das figuras mais conhecidas da vanguarda musical da Europa ocidental.

Escute aqui a trilha sonora de "2001".

19 maio 2006

Virada Cultural

Tentar acompanhar a Virada Cultural é impossível. Como alguém conseguiria estar a par de 500 eventos culturais que acontecerão por toda a cidade de São Paulo num período de 24 horas?
Sendo assim, qualquer um que deseje aproveitar ao máximo essas atividades precisa fazer uma programação bem exata do que quer ver em cada uma dessas 24 horas.
Aqui vão os meus destaques nesse evento que começa amanhã às 18h00 e se extende até a mesma hora de domingo de maneira inimterrupta:

Lançamento da Revista Puzgrila
Estive na Virada Cultural
Coral USP
Esculturas do Parque: Sob uma Nova Luz
Show Orquestra Mundana
Show dos Mulheres Negras
Axioma 7
Filme Edifício Master
Curtas Britânicos
Exposição Por ti América
Filme Limite
Exposição Virtual em Painés Eletrônicos
Filme O Fantasma
Jam Session de Hq e Caricaturas
Leitura nas alturas
Mercado Livre das Frases Úteis
A História do Futebol no Brasil através da Charge
Exposição World Press Photo
Exposição Lívio Abramo
Bunka Matsuri
Caminhada Literária

05 setembro 2005

Parcerias

É incrível como certas coisas maravilhosas só conseguem surgir de um encontro inusitado e fortuito.
Enquanto ajudava uma amiga a fazer a seleção de música pra um programa de rádio que ela comanda, o tema surgiu e fiquei pensando nisso por um tempo.
Na música, ocorreu várias vezes, quando um grupo interpretava canções de outro ou quando se união pra compor algo pra algum evento especial. A história do rock está cheia de exemplos.
Cds de cover são tão especiais por causa disso. É muito bom apreciar como um músico que a gente já aprecia enxerga ( ou escuta) uma música de outro artista que também se aprecia muito.
Entretanto, o que eu mais gosto, são encontros ocasionais que rendem discos antológicos. São diversos e únicos e eu poderia ficar o dia inteiro citando exemplos, mas só vou comentar alguns casos que eu adoro e que não tem saído do meu cd player.Não reparem no ecletismo das escolhas.


Passages
Philip Glass e Ravi Shankar , a união da música erudita contemporânea com a música tradicional indiana. Você nunca mais vai escutar nada assim em lugar nenhum












Águas da Amazônia
Philip Glass compondo especialmente pro Grupo Corpo e para ser interpretado pelo grupo Uakti. É nessas horas que a gente nota que alguns estrangeiros entendem o Brasil melhor que os brasileiros.












Clã e Sérgio Godinho
A união perfeita entre dois seres que sempre foram apaixonados um pelo outro, mas que demoraram pra se declarar. Arrisco dizer que é uma das melhores coisas que já ouvi em português.












Liquid Tension Experiment
Junte dois músicos do Dream Theater com outros dois músicos extremamente competentes e talentosos que já haviam tocado com meio mundo do Rock progressivo. Resultado: Uma viagem com milhares de notas por segundo.












Down
Projeto paralelo que uniu Philip Anselmo do Pantera com alguns integrantes de outras bandas como o pessoal do Corrosion Of Conformity. Simplesmente um retorno às origens do Heavy Metal de melhor qualidade com pitadas sulistas.

10 agosto 2005

A cor do som
Quando eu era moleque, minha família gastava o tempo livre da mesma forma que 90% das outras famílias paulistanas: nas férias, praia; nos fins de semana, shopping.
Quase todo domingo era passado em Shoppings como Morumbi, Ibirapuera ou Iguatemi; circulando entre os cinemas, o Mc Donalds, a loja de brinquedos Miniatura e a loja de discos Hi-Fi. Quem é que não lembra da Hi-Fi? Eles tinham a embalagem mais bonita pra LPs que eu já vi, e lembro claramente do dia em que eu, um garoto de oito anos, encontrou um disco do Kiss no meio da loja. Fiquei hipnotizado e me recusei a sair da loja até meus pais comprarem o maldito disco.
Alguns anos mais tarde, comecei a notar que esse fenômeno se repetiu algumas vezes e que eu, muitas vezes, comprava de impulso um LP ou CD, sem nem conhecer a banda. O que é que me atrai a tal ponto nesses discos? Só muito mais velho percebi que rolava um lance com a capa do disco, era isso que mexia comigo e me fazia querer descobrir como era o som de uma banda que tinha um disco com uma capa tão legal.
Grande parte da minha formação musical se deu em função da arte das capas. Iron Maiden, Dream Theater, Rush, Yes são alguns grupos que eu provavelmente nunca teria conhecido se seus discos não tivessem as capas que tinham.
Com a transição do LP para o Cd, todo o conceito de capa e encarte teve que ser repensado pelos artistas e novas propostas tão boas ou melhoes que as antigas surgiram.
Hoje, me pergunto se eu não gosto de determinadas músicas só porque me lembram de uma capa?
Veja algumas capas que me conquistaram e seus respectivos autores a quem eu devo parte de minhas descobertas musicais:





Hugh Syme





Peter Saville






Larry Freemantle






Roger Dean






Ken Kelly






Dave McKean






Anastasia Vasilakis







Frank Olinsky







Derek Riggs