21 outubro 2006

Boletim Edudrix

Posso dizer que foi uma edição mediana da Mostra que teve bons filmes, mas nenhuma surpresa ou revelação. Meus diretores preferidos, em sua maioria, não estavam presentes, então eu já não tinha grandes espectativas. "Cheiro do ralo" ganhou o premio do juri, merecidamente. Lembro que raramente um filme nacional ganha esse prêmio. "A Batalha de Paris" foi o mais votado pelo público, mas não consegui pegar nenuma sessão dele. Bom, foi divertido, o que mais eu posso dizer?

Sentado na escada do Cine Bombril, na fila para "O Labirinto do Fauno" cinco minutos antes de acabar a luz. Não me perguntem como foi o filme.


EUA contra John Lennon - David Leaf, John Scheinfeld - Nota 8,0
Como a administração Nixon uniu FBI, CIA e Imigração parar silenciar John Lennon. O tipo de filme que te faz perceber a importância de um cara como John Lenon e do estrago que loucos como o Bush ou o Nixon são capazes de fazer por terem poder demais nas mãos.

Still Life - Jia Zhangke - Nota 8,0
Usando vídeo digital, Jia Zhangke retrata uma sociedade em profundo processo de mudança e a maneira como as relações afetivas se rompem com facilidade pelo meio do caminho. Em resumo, como os chineses estão perdendo todos os seus referenciais do dia para a noite.

Histórias Tenebrosas - Richard Oswald - Nota 9,0
Contos clássicos de supense adaptados por Oswald para um gênero meio "terrir", através de interpretações caricatas dos ótimos atores. Acompanhamento musical muito competente feito a partir das improvisações pianísticas de Paulo Braga. A única história realmente tenebrosa foi a completa ausência de qualquer tipo de iluminação no pianista.
Juventude em Marcha - Pedro Costa - Nota 5,5
Eu sempre aplaudo artistas corajosos que não tem medo de se arriscar em visões particulares do mundo, mas não consegui me envolver pela direção de Pedro Costa ou pela história desses fantasmas vivos que perambulam pelos subúrbios resgatando seus lamentos e lembranças

Paris, te amo- Diversos diretores - Nota 9,0
Apesar da visão dos vinte e um autores oscilar muito, ainda assim o resultado é extremamente positivo. Um capítulo para cada bairro, e Paris é sempre Paris. Destaque para os capítulos dos irmãos Cohen, de Tom Tykwer e de Sylvain Chomet

Um Longo Caminho - Zhang Yimou - Nota 8,5
Esse é o tipo de filme cujo plot não convence ninguém a comprar o ingresso, mas a maestria de Zhang Yimou ( o mesmo de "Lanternas Vermelhas", "Caminho para Casa", "Nenhum a Menos" e "Herói") faz com que até os corações de pedra se emocionem nos trechos principais do filme. É dificil ser sensível sem ser peigas, mas Yimou sempre consegue.

Sempre Bela - Manoel de Oliveira - Nota 8,0
Os dois personagens principais de A Bela da Tarde se reencontram muitos anos depois. Não ficou muito claro pra mim se Manoel de Oliveira quis fazer uma homenagem ou uma paródia. Bom, os filmes de Oliveira são sempre meio enigmáticos. Ainda assim, imperdível.

O Cheiro do Ralo - Heitor Dhalia - Nota 8,5
Lourenço Mutarelli foi o escritor que se predispôs a mapear o inferno. Pois bem, este filme tem um relato de parte desta pesquisa pelos fetiches, inseguranças e excentricidades do ser humano. Mórbido, escatológico e engraçado ao mesmo tempo. Atores de calibre ( incluindo o debut do próprio Mutarelli) e ritmo acertado. Só não ficou bem a trilha sonora.

O Grito das Formigas - Mohsen Makhmalbaf - Nota 6,0
O que eu mais gostava dos filmes iranianos é que eles eram cheios de poesia, diziam muito através das imagens e isso bastava. Agora, eles são cheios de discursos e verdades inquestionáveis e isso os torna muito chatos e redundantes.

Oscar Niemeyer, A Vida é um Sopro - Fabiano Maciel - Nota 7,5
Um sopro bem longo se formos considerar que este filme vai comemorar o centenário do arquiteto brasileiro mais ilustre. É um documentário muuuito melhor que o outro sobre o Frank Gehry, não segue o caminho da bajulação, compila as frases mais importantes de Niemeyer, acompanha sua carreira de forma coerente e deixa o Niemeyer falar de si mesmo muito mais do os outros falerem dele, ainda assim falta arquitetura, pois como seria natural a qualquer arquiteto de quase 80 anos de carreira, Niemeyer está consado de falar de arquitetura...prefere as mulheres ( quem é que discorda?).

A Última Noite - Robert Altman - Nota 7,5
O interessante dos filmes do Robert Altman é que eles são tão coerentes com um Festival de Cinema como com a Sessão da Tarde na TV. Histórias de pessoas completamente normais na gravação do último show de um programa de rádio. uM bom Altman.

Fonte da Vida - Daren Aronofsky - Nota 10
Uma grande obra de arte é aquela que causa uma mudança no espectador. A Fonte da Vida não é o tipo de filme do qual se gosta ou não, ele está além da questão de gosto. Aronofsky integra filosofia, narrativa não-linear e leitura aberta em uma obra que te faz refletir sobre muitas coisas, não oferece conclusões, mas usa a poesia para sugerir questões.

O Grande Truque - Christopher Nolan - Nota 9,5
Nolan ilude e brinca como o espectador, é regente de um concerto onde tudo é ilusão (ou não?). Ótimos atores, roteiro impecável, direção segura. Uma obra de arte construída em camadas.

Esboços para Frank Gehry - Sydney Pollack - Nota 6,0
Por que é que 90% dos documentários sobre artistas famosos seguem sempre o caminho da adulação?
É muito interessante ver o processo de trabalho de Gehry e saber a história de sua vida, mas cansa ficar vendo todos "puxando seu saco". Enfim, daria pra resumir o filme nos depoimentos do genial Julian Schnabel, de robe e óculos escuros, tomando vinho e falando sobre arte.

Fora de Jogo - Jafar Panahi - Nota 7,0
Se você for mulher e viver no Irã, ir a um jogo de futebol pode ser uma grande aventura. Recomendável só para os fãs do cinema iraniano.
Ps: O interessante desses filmes orientais é o papel que eles tem de serem janelas para realidades que a gente nem imagina que existam.

Sonhos com Shangai - Wang Xiaoshuai - Nota 7,5
Em uma pequena cidade industrial do interior da China, duas gerações lidam com as decisões de suas juventudes. Às vezes, o preço a pagar é alto demais.


O Crocodilo - Nanni Moretti - Nota 9,0
Só um dos maiores cineastas italianos pra fundir de maneira coerente duas narrativas completamente diferentes. Na mesma época em que um produtor de cinema passa pela pior crise de sua vida, cai em sua mão um roteiro para um filme inspirado na vida do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.
Nanni Moretti vive me surpreendendo.

Caminho para Guantánamo-Michael Winterbottom-Nota 8,0
"O mundo não é um lugar agradável". É o tipo de lugar em que uma guerra começa durante sua viagem de férias e você é preso confundido como soldado inimigo. Seu destino: Guantánamo, mais conhecido como inferno. História real de um grupo de amigos filmada pelo mesmo diretor de "Bem-vindo a Sarajevo".
Leonard Cohen - I'm Your man - Lian Lunson - Nota 6,5
Pode ser uma experiência muito frustrante ir ver um filme sobre o cantor e compositor Leonard Cohen e passar 90% do tempo vendo cantores obscuros interpretando suas canções, e aí, quando chega o finalzinho e o "ladies man" sobe no palco, você é obrigado a aguentar o Bono Vox dividindo as letras com ele.
É um documentário que vale por ser sobre quem é, pois fora isso não conta quase nada da vida do homem da "golden voice" e ele só aparece cantando em meia música.

Scanner Darkly - Richard Linklater - Nota 7,5
Linklater continou experimentando a técnica de animação que desenvolveu para 'Waking Life" e é bem interessante ver como ela evoluiu para essa adaptação de um texto de Philip K. Dick, mas a narrativa tem um ritmo meio estranho, bem cansativo. Não sei se isso se deve ao Dick ou ao Linklater.
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Pois é, meus caros. Cá estamos mais uma vez acompanhando um dos momentos mais especiais do ano em São Paulo. Aguardem atualizações quase diárias desta postagem a respeito dos filmes da Mostra.
Se você se vê em uma sala de exibição escura e pensa " que filme eu vim ver mesmo?", você provavelmente está na Mostra de Cinema de São Paulo.
Lá vamos nós para o nono ano de Mostra.
Ps: Cliquem nos títulos dos filmes para verem os trailers (quando houver algum).



14 outubro 2006

Balanço de um mês quadrinhístico

Setembro foi um mês repleto ( pra não dizer lotado) de atividades ligadas às HQs. Além das aulas normais e dos três eventos que serviram pra promover a recém-lançada Garagem Hermética, ainda trabalhei em duas Oficinas de HQ, elaboradas para o público jovem e realizadas em bibliotecas municipais na zona norte de São Paulo.
Como produto direto dessas aulas, organizei dois fanzines com os trabalhos dos alunos: "Quadricomix" e "Nós".
Em breve, os dois poderam ser encontrados nas bibliotecas Sylvia Orthof e José Mauro Vasconcelos.

06 outubro 2006

Outubro

Outubro vai ser um mês de maratona pra quem acompanha o circuito de artes plásticas. Além da programação do mês estar repleta de exposições, ainda é preciso destacar a importância de todas elas. Quero ver quem vai conseguir ver tudo isso:

27ªBIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO
De 7/10 a 17/12; ter. a sex.: das 9h às 21h (acesso até as 20h). Sáb., dom. e feriados: das 10h às 22h (acesso até as 21h)
Parque Ibirapuera - pavilhão da Bienal (av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, Ibirapuera, região sul, portão 3, tel. 5576-7600) Entrada franca

OFF BIENAL 2
Mube (av. Europa, 218, tel. 3081-8611). Ter. a dom.: 10h às 19h. Até 5/11. Grátis.

TRANSVERSAL
Galeria Sergio Caribé (r. João Lourenço, 79, tel. 3842-5135). Seg. a sex.: 10h às 18h. Sáb.: 10h às 13h. Dia 12: fechado . Até 31/10. Grátis.

27ª BIENAL DA CASA DA XICLET
Casa da Xiclet (r. Fradique Coutinho, 1.855, tel. 7314-4550). Seg. a dom.: 14h às 21h. Abertura 7/10. Até 29/10. Grátis.

INAUGURAÇÃO DO IAC
Centro Universitário Maria Antônia - prédio Joaquim Nabuco (r. Maria Antônia, 258, Vila Buarque, região central, tel. 3083-6322). Ter. a dom.: 10h às 18h. Dia 12: fechado. Até 10/12

CONCRETA' 56 - A RAIZ DA FORMA
MAM Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 3, parque Ibirapuera, região sul, tel. 5549-9688). Ter. a dom.: 10h às 18h. Até 3/12.

MAM NA OCA
Parque Ibirapuera - pavilhão da Oca (av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 3, Parque Ibirapuera, região sul, tel. 5549-2744). Ter. a dom.: 10h às 18h. Até 10/12.

COLETIVA DO PROGRAMA DE EXPOSIÇÕES
CCSP-Piso Caio Graco (r. Vergueiro, 1.000, Liberdade, região central, tel. 3383-3402). Ter. a sex.: 10h às 20h. Sáb.: 10h às 18h. Dom.: 10h às 16h. Dia 12: fechado. Abertura 10/10. Até 26/11

FLUXUS - UMA LONGA HISTÓRIA COM MUITOS NÓS
Instituto Tomie Othake- R. Coropés, 88, Pinheiros, região oeste, tel. 2245-1900. Ter. a dom.: 11h às 20h. Até 8/10

05 outubro 2006

Garagem Hermética # 1

Garagem Hermética #1 – 28 páginas – formato 15 cm x 23 cm – Capa colorida e miolo P&B – R$ 3,00
Autores: A menina e o Lobo - Kleber de Sousa (roteiro e arte);Gutei e o dedo - Edu Mendes (roteiro e arte);Um gênio e sua garagem - Nobu Chinen (texto);Onde Estão os Tatus-Bolinha - Cadu Simões e Harriot Jr. (roteiro) e Camila Torrano (arte);Ela me quer só para me ter - Bernard Blazek (roteiro e arte);Promoção - Fabio Silva (roteiro e arte);Amor de Mãe - Rodrigo Tauguchi (roteiro e arte);Vida e Cerveja - Rodrigo Alonso (roteiro) e Felipe Cunha (arte);Mistério dos Andes - Luigi Colafligi (roteiro e arte);Crônicas Élficas - Kleber de Sousa (roteiro e arte);The Division Bell - Rodrigo Alonso (roteiro) e Felipe Cunha (arte);Que importa - Roberta Bronzzato (roteiro) e Edu Mendes (arte).

Leia a primeira resenha do Garagem Hermética.
Veja aqui uma HQ da revista.


Onde encontrar encontrar o Garagem Hermética:

Super - Loja de Quadrinhos
Rua Gandavo, 58 - Vila Mariana
(Metrô Vila Mariana)

Comix Book Shop
Alameda Jaú, 1998 - Cerqueira César
(Metrô Consolação)

Livraria Novo Conhecer
Rua Heitor Penteado, 1618 - Sumaré
(Metrô Vila Madalena)

Livraria Morais
Rua Domingos de Moraes, 1800 - Vila Mariana
(Metrô Vila Mariana)

Quanta - Academia de Arte
Rua Minas Gerais, 27 – Higienópolis
(Metrô Consolação)

Você pode ainda enviar um email ou deixar um comentário no blog para comprar a revista pelo correio ao custo de R$ 4,00 (correio incluso).

28 setembro 2006

Mais 2X Garagem Hermética

Neste sábado, dia 30 de Setembro tem lançamento do Garagem Hermética na Quanta Academia de Artes.O pessoal do fanzine Garagem Hermética estará lá a partir das 11h da manhã, autografando as revistas e conversando com o pessoal.
Devido às minhas aulas eu, provavelmente, só chegarei após as 14h.

Quanta Academia de Artes
Rua Minas Gerais, 27 – Higienópolis,
São Paulo
3214-0553


E terça-feira, dia 03, estaremos às 16:00 na 2a Feira de Quadrinho e Arte, na Livraria Novo Conhecer.

Livraria Novo Conhecer
Rua Heitor Penteado, 1618
Sumaré, São Paulo
3872-9787

26 setembro 2006

Primeira resenha do Garagem Hermética

Há algum tempo atrás, eu ficava fascinado sempre que pegava um número da revista Animal pra ler. Era fantástico pegar uma revista onde a sua única certeza era que leria histórias de grande qualidade, mas cuja temática era a mais improvável possível. Só de ver um número novo na banca eu já ficava imaginando quantos pontos de vista completamente diferentes ela traria.
Ficava pensando como é que os editores conseguiam organizar de maneira coerente coisas tão diferentes como Charles Burns, Abulli e André Toral.
Ultimamante, estive um pouco do outro lado, organizando o Garagem Hermética junto com um pessoal que conheci na Putzgrila, e acho que o que me deu mais satisfação dessa experiência toda foi que colocamos juntas perspectivas tão diferentes quanto era possível e o resultado ficou coerente.
Imaginem a minha alegria quando vi que mesmo uma pessoa de fora desse processo sentiu a mesma coisa ao ler a revista.

Leia a primeira resenha do Garagem Hermética.
Veja aqui uma HQ da revista.

22 setembro 2006

Garagem e cinema

Hoje, acontece às 18h30, na Gibiteca Henfil, o lançamento oficial do Garagem Hermética, zine em que eu participo com a capa, uma ilustração interna e a HQ "Gutei e o Dedo".
Quem puder apareça por lá.
Modéstia à parte, o zine está muito bom.

Fora isso, queria chamar a atenção para O Festival de Cinema do Rio que começou, além de valer à pena por trazer filmes que dificilmente passam no circuito comercial, este ano tem uma seleção nota dez, quase todos os seus cineastas preferidos comparecem com novas produções.
Quem está em São Paulo, como eu, contenta-se em acompanhar pela Internet pra ter uma prévia do que deve vir aí na Mostra de São Paulo, em fins de outubro.

20 setembro 2006

Cinema, Aspirinas e Urubus é a indicação brasileira para o Oscar.

Essa é uma das primeiras vezes em que eu concordo com o filme que o Brasil indica para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro.
Vejam o que eu disse sobre esse filme algum tempo atrás:


Cinema, Aspirinas e Urubus
Foi em algum filme do Wim Wenders que eu escutei que uma história se conta através do espaço entre os personagens.
Cinema, aspirinas e urubus está ganhando diversos prêmios e é o melhor filme dessa geração pernambucana exatamente porque seu diretor Marcelo Gomes sabe, como poucos, como usar esse espaço entre personalidades tão diferentes pra contar uma história sensível e complexa.
Eu disse complexa, mas poderia ter dito simples, porque esse é um daqueles casos contraditórios. O enredo é muito simples, poderia ser resumido em uma linha e estaria englobando toda a ação que ocorre em quase duas horas de projeção, mas estaria longe de dizer o que realmente acontece.
A trama, o conflito, a tensão são tratadas de maneira sutil e sugerida. Apesar das ações serem visíveis, as consequências de cada ato são internas e pessoais, a história surge na maneira como essas mudanças moldam o espaço entre os dois protagonistas.
Os primeiros minutos de andanças de Johann pelo agreste nordestino dos anos 40 são mero prólogo pra história que vai se desenvolver a partir do encontro deste alemão com o retirante Ranulpho.

16 setembro 2006

Miguel Rocha

Em 2004, quando visitei o 15º Festival de Bd da Amadora, acabei encontrando um conhecido de Coimbra que me alertou que, no fim da tarde, haveria uma sessão de autógrafos com Miguel Rocha de quem eu já era grande fã.
Como não daria tempo de voltar a Lisboa para pegar algum livro do artista, decidi ver outra exposição em um edifício próximo e voltar no horário dos autógrafos para comprar algum livro na exposição mesmo. Corri até o CNBDI pra ver a exposição de Neil Gaiman, mas acabei me perdendo pelo caminho e voltei o mais rápido que pude com medo de já ter perdido a hora. Chegando lá, percebi que já estavam quase acabando, a fila para autógrafos já ia minguando e eu torcia para que o artista não fosse embora antes que eu conseguisse algum livro seu para autografar.
No estande da Witloof, onde estava o conhecido que me avisara do evento, comprei um exemplar de “As pombinhas do Sr. Leitão” e entrei no fim da fila.
Cheguei ao Miguel quase pedindo desculpas por ser o último, mas sua simpatia e sua disponibilidade me fizeram relaxar e começar a fazer as típicas perguntas de fã. Como não havia mais ninguém depois de mim, ele fez um autógrafo desenhado e ficou mais de meia hora respondendo pacientemente todas as perguntas que eu fazia. A conversa foi ótima para me esclarecer um pouco da sua técnica de pintura que é feita basicamente com tinta acrílica quase pura e pincéis duros sobre papel espesso.
Miguel demonstrou ser não apenas um artista talentosíssimo com uma linha de pesquisa extremamente interessante, mas também um indivíduo modesto e muito acessível.
Conheci sua obra através do número quatro da revista Comix ( Devir) que encontrei na Bienal do Livro de São Paulo em 2004. Quando me mudei para Portugal, procurei tudo o que pude sobre o artista e descobri que ele era muito mais ousado e tinha trabalhos muito mais expressivos do que eu imaginava. Não foi à toa que seu “A vida numa colher” ganhou diversos prêmios e é sem sombra de dúvida uma obra-prima da BD Lusófona.Se você é um dos muitos que não tem acesso às edições portuguesas dos trabalhos de Miguel Rocha, aproveite para acessar aqui um de seus trabalhos on-line para conhecer esse ótimo artista.

14 setembro 2006

Curso de Tecnologia com Lelé

Seria um exagero dizer que o arquiteto João Filgueiras Lima, vulgo Lelé, é um desconhecido, mas posso afirmar com certeza que ele ainda não obteve o reconhecimento que merece pelo que já ofereceu à arquitetura.
Lelé não é só um dos maiores arquitetos brasileiros em atividade, mas também um dos que mais impulsionou o desenvolvimento tecnológico na arquitetura brasileira. Ele destacou-se em diversos ramos da arquitetura como conforto ambiental, estudos estruturais e principalmente arquitetura hospitalar, onde fez escola com os diversos edifícios da Rede Sarah.
Por essas e outras, em julho houve um curso em São Paulo, onde Lelé compartilhou parte de seu conhecimento em tecnologia, e agora os vídeos dessas palestras estão disponíveis aqui.

01 setembro 2006

Liberte-se das linhas







A tessitura do desejo.

A harmonia das linhas.

O discurso da forma.

26 agosto 2006

Xilo

Apesar de ter passado quase um ano inteiro produzindo e estudando gravuras, tenho pouquíssimos trabalhos de que eu realmente gosto. Esta xilo eu fiz em 2000 e pertence ao conjunto das minhas favoritas.

















Segundo o Freud, sonhos de vôo são sonhos de expressão sexual.

20 agosto 2006

Sexo, drogas e rock'n'roll

Atenção: Esta postagem contém apologia à cultura.

Hoje em dia, pra qualquer lado que viramos, vemos exemplos de todo tipo de coisa associada, de maneira oportunista, a sexo, drogas e rock com uma única finalidade: vender um produto ou uma idéia.
Sendo assim, qualquer pessoa com um mínimo de senso crítico cria uma certa aversão a produtos culturais que carreguem qualquer uma dessas bandeiras.
Felizmente, de tempos em tempos, surge algum artista mais consciente e original que consegue romper essa barreira de banalidade e tratar temas tão controversos de uma maneira mais crítica e sincera.
Entre os quadrinhos não é diferente e acabaram de chegar às livrarias alguns lançamentos que exigem a atenção do leitor, mas que correm um grande risco de se perder no mar de corpos, baseados e guitarras que não acrescentam nada.

Omaha
Grande representante da vertente sexo. É uma novela que conta as desventuras de uma stripper. O que chama a atenção nessa Hq, publicada há mais de duas décadas nos EUA, é que o sexo é tratado no contexto dos relacionamentos e não em fantasias adolescentes como acontece na maior parte do material erótico que circula por aí.
Grande parte da credibilidade desse material está no fato de que as histórias eram produzidas por um casal que vivia um relacionamento amoroso na vida real. Ela escrevia os roteiros e ele desenhava.

Capitão Presença
Presença é o super herói que aparece pra te salvar naquele momento em que você mais precisa relaxar, mas é impossível conseguir um punhado de erva.
Junto vem todo um time de personagens do universo esfumaçado do Mundo Hemp.
Meu personagem favorito é Kurt Cobaia, o drug-test dummie. Pra alguém que começou de maneira bem descompromissada, Arnaldo Branco soube desenvolver bem a temática, mesmo desenhando depois de fumar.

Juke Box
Como fim da Mosh, muita gente achou que aquele grupo de artistas que surgiu nas páginas da melhor revista independente brasileira ia sumir, mas nem deu tempo de sentir saudade da publicação e já surge outra com uma proposta bem semelhante, mas levemente mais ousada. Que novos Fabios Lyra e Vinicius Mitchell surjam daí.


E já que estamos aqui, por que não falar de violência também?
Em época de eleição é sempre um assunto muito levantado.Então vamos falar de violência real em um mundo de animais antropomorfizados. É aí que surge Blacksad, um detetive durão e solitário iluminado pelas aquarelas belíssimas de Guarnido e pelos roteiros politicamente incorretos de Canales. Seria o Sam Pezzo da nova geração dos quadrinhos?

19 agosto 2006

Um Cão Andaluz (1928)

Uma das poucas aulas de História da Arte que eu lembro da faculdade foi aquela sobre Surrealismo em que o professor exibiu "Um cão andaluz". Oito anos depois, em um bar, perguntaram-me qual meu filme preferido? Eu, completamente bêbado, respondi sem hesitar: "Um cão andaluz". Não sei por que respondi aquilo, pois nunca mais havia visto o filme. Tudo o que sei é que minha vida nunca mais foi a mesma.


A seqüência em que a navalha corta o olho sintetiza tudo o que eu penso sobre arte.

18 agosto 2006

Aldebaran de LEO

O título desta postagem poderia ser “A volta do filho pródigo”, mas isto não seria exatamente verdade. Seria melhor dizer algo como “ os pais finalmente reconhecem o talento do filho”.
Mesmo já tendo publicado no Brasil na antológica revista Bicho, LEO, ou Luiz Eduardo Oliveira, só encontrou o ambiente adequado para desenvolver suas produções quadrinhísticas na Europa, mais precisamente entre as editoras que publicam no mercado franco-belga de “bandas desenhadas”.
Depois de mais de dez anos publicando suas bem-sucedidas sagas de ficção científica, só agora uma editora (de um grupo italiano) se interessou em publicar no Brasil as obras desse carioca radicado na França.
Na vida de Leo nem tudo são flores, além de ter sido perseguido pelo regime militar brasileiro, o artista auto-exilado na França encontrou diversas dificuldades para ser aceito pelos editores europeus. Começou trabalhando com publicidade e ia publicando HQs periodicamente em revistas como Pilote e L'Écho des Savanes até que acabou por ser convidado por Jean-Claude Forest para ser desenhista de algumas histórias. Em 1988, quase uma década após chegar à França passou a desenhar a série Trent ( 8 volumes), roteirizada por Rodolphe.
Com o sucesso de Trent, Leo encontrou espaço na mesma editora para um projeto pessoal de grande envergadura, uma ficção-científica fantástica que se passaria em um planeta colonizado pela Terra em um futuro próximo. Publicada a partir de 1993, a série Aldebaran, mistura de maneira equilibrada diversos elementos como romance, fantasia, mistério e aventura, formando um produto que bateu recordes de venda em todo o mercado franco-belga. O sucesso da série foi tal que o primeiro ciclo de cinco álbuns ( Aldebaran) foi seguido por um segundo ciclo de mais cinco ( Bételgeuse) e já se planeja uma terceira seqüência de mais cinco (Antares).
A último álbum lançado teve direito a comercial de TV e teve uma tiragem de 125.000 exemplares.
Se você gosta de ficção científica, fantasia, suspense, romance ou aventura não deixe de conhecer esta série, mesmo que com mais de dez anos de atraso. Antes tarde do que nunca.

17 agosto 2006

2º Enquadrando

Neste sábado, acontece a segunda edição do Enquadrando, organizado pelo Marko Adjaric.
Quem puder, dê uma passada pela Gibiteca Henfil e confira o evento que toma toda a tarde e oferece de palestras a exibição de vídeos raros.
Programação completa aqui.