26 dezembro 2005

Laboratório de arquitetura

Já é muito bem sabido que o programa residencial é aquele onde os arquitetos mais exploram soluções novas e possibilidades experimentais que seriam prontamente barradas em projetos de grande envergadura.
Mesmo assim, é muito raro ver uma casa que nos faz repletir sobre o papel da arquitetura e da habitação.
Há algumas semanas, tomei contato, quase que simultaneamente, com dois projetos residencias que não me saem da cabeça, e que tem me rendido muita reflexão.
O primeiro projeto , uma casa no norte de Portugal, construida por Álvaro Leite Siza (filho de um dos maiores expoentes da Escola do Porto), conheci através da palestra apresentada pelo Grupo ARX durante o evento Des -continuidade. Essa curiosa casa lida com a questão dos desníveis da maneira mais simples e lógica: através de escadas. Enquanto os projetistas quebram a cabeça pra negar ou suavizar diferenças de nível, Leite Siza faz da escada elemento central de seu projeto de maneira tão lúdica que desde os Carceri de Piranesi ninguém via nada assim.
O segundo projeto, uma casa no sul do Brasil, elaborada pelo escritório Procter: Rihl (publicada no número 139 da revista AU), também trata com naturalidade questões que a maior parte das pessoas tenta disfarçar: terrenos de dimensões exiguas e falta de segurança. Tendo que ocupar um lote estreito e comprido sem se descuidar dos aspectos de segurança inerentes à vida nos grandes centros urbanos, Fernando Rihl cria um bloco compacto em que usa as grades de uma maneira tão harmônica que elas somem como elemento de segurança e incorporam-se ao conjunto dando dimanismo ao bloco. Enquanto a casa de Siza abre-se para a paisagem, o projeto de Rihl fecha-se e tira partido de uma solução belíssima de pátio interno.
Clique nos links abaixo para maiores informações sobre os projetos.

Casa Tóló -Álvaro Leite Siza








Casa Slice - Procter : Rihl

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