20 dezembro 2005

Ufa. Enfim eu consegui entrar neste blog.

Bom, eu sou a participacao especial que o Edu mencionou e eu estou escrevendo num Mac e, por isso, nao usarei acentos.

Tina, para quem nao me conhece. Muito prazer. A ideia da participacao especial veio de uma viagem que eu vou fazer para Nova Iorque e Paris em janeiro. Devo deixar uma especie de diario de bordo por aqui.

Antes de sair do pais, no entanto, fiz uma mudanca drastica: vim morar em Brasilia. Aqui estou, tentando me adaptar. Vou aproveitar entao para deixar para o Edu as novidades do meu embate com a cidade.

Ate agora, achei a cidade muito estranha. Antes, quando vinha a trabalho, achava Brasilia legal, bonita. Agora, acho uma loucura. Sem querer ser superficial - sei que deve ter alguns arquitetos lendo o blog do Edu - e reconhecendo que ainda nao li o suficiente a respeito das discussoes sobre o planejamento e a construcao de Brasilia, e uma maluquice querer projetar uma ciadade inteira, de cabo a rabo e partindo do nada. Como se uma cidade nao fosse organica pelo simples fato de que e povoada por seres humanos. Como se bastasse vc delimitar um Setor de Diversoes para que as pessoas fossem la se divertir. Ou ainda, como se bastasse delimitar ruas comerciais para que, em cada rua, houvesse uma padaria, um acougue, um cyber cafe, uma lojinha quebra galhos, um supermercado, uma livraria e um boteco. Nao tem. E feira? Tambem nao tem. E quando crescer? E quando o cemiterio lotar? Me faz lembrar o Mon oncle do Jacques Tati, com aquela casa moderna, toda projetada e industrializada e, no fim das contas, pouco pratica.

Gosto de muitos predios. Gosto do Congresso, do Itamaraty, do Planalto e muitos outros, mas a cidade como um todo nao funciona. Me ocorreu hoje, enquanto passeava pela Praca dos Tres Poderes, que e muito nossa essa ideia de que vamos resolver tudo por decreto. Decretaremos que a capital do Pais sera essa cidade, no centro geografico do Pais, toda cheia de simbolos de desenvolvimento; o aviao, a maquina, a industria... O Brasil vai deslanchar, se desenvolver todo.

Mas ai, o que acontece? Tem construcoes irregulares, ja tem engarrafamentos, porque todos tem que fazer tudo de carro, os predios novos construidos nao seguem o mesmo padrao e destoam dos originais, o verde nao e tao verde porque aqui e seco a beca etc. Enfim, me parece bastante ingenuo, apesar de eu entender que era o ar daquele tempo.

Mesmo assim, eu fico bastante intrigada com o Lucio Costa. Eu havia lido dele coisas sobre a arquitetura colonial, onde ele defendia a utilizacao das solucoes desenvolvidas aqui no Brasil, as mais adequadas ao nosso tipo de vida. A taipa de pilao, o adobe, a utilizacao das pedras embaixo das pilastras contra os cupins, os telhados bons para evidar a chuva, as varandas etc. Tudo bem na escala humana e bem perto do homem do Pais. De repente, ca estou numa cidade que nao tem nada disso. Preciso ler mais a respeito. Aguardo que vc me mande uma bibliografia, Edu.

E isso por hoje sobre Brasilia. Mais noticias depois.

2 comentários:

Edu Mendes disse...

Legal, não é a toa que todo arquiteto estrangeiro quer visitar Brasilia. Não é possível ficar indiferente.
Muitos arquitetos já quiseram " brincar de deus", mas poucos tiveram a oportunidade.
Como diria alguém ( não lembro quem): é preciso 500 anos pra se criar uma cidade.
Vc já visitou as superquadras? Eu quero saber das superquadras!

Edu Mendes disse...

Queria saber se essa sua sensação persistia nas superquadras, já que pelo projeto é o lugar onde haveria o comércio e os serviços de âmbito local.
Apesar de não haver taipas e cia, muitas soluções de arquitetura daí são tipicamente brasileiras desenvolvidas pelo Niemeyer e equipe (o Lucio Costa assina quase que só o projeto urbanístico).
Quando estive aí, também fiquei com essa impressão da dependência do carro, mas depois conheci duas pessoas que cresceram em Brasilia e elas me disseram que faziam tudo de ônibus. Vai ver é impressão de quem vê a cidade pela primeira vez e se assusta com os vazios.
Vai saber... eu me assustei.
Ficam aí alguns links interessantes sobre Brasilia:

http://www.geocities.com/augusto_areal/bsb.html
(Não deixe de ver "As Brasílias dos Mundos Paralelos")

http://www.guiadebrasilia.com.br/historico/revisitada-d.htm
(Lucio Costa comenta Brasilia algumas décadas depois da construção)

http://www.arcoweb.com.br/arqui
tetura/arquitetura237.asp (100 anos de L. Costa)